Expedição Pico da Bandeira – 4ª Parte Acordamos…

Expedição Pico da Bandeira – 4ª Parte

Acordamos na segunda feira de manhã, eu estava morto de sono… lanchamos e fomos aprontando as coisas pra saír. Nesse dia íamos para o lado de Minas Gerais do parque. Lá é mais urbanizado, mais organizado e mais bonito, só que mais longe. Demoramos pra arrumar as coisas e só fomos saír lá pelas 9:30. Andamos um monte até chegar na portaria de Minas… de novo passando por cidadezinhas de 3 casas, vilas, estradas e mais estradas de terra que subiam e desciam morros, fazendo curvas por entre as fazendas de café e cercado por plantações de café por todos os lados. Em Minas é tudo melhor… a portaria tinha sido avisada pelo rádio que nós íamos subir, chegamos lá e subimos, evitando aquela burocracia todo. Primeiro fomos no Vale Encantado. Mata Atlântica mesmo! Fomos seguindo um riozinho que descia pelas pedras super super super cristalino. Num dos pontos tinha uma lago gigantesco, clarinho, no meio da floresta e cercado de pedras. Subimos por uma trilha que era quase vertical, no meio da floresta, segurando nas raizes e nos troncos das árvores. Passamos por duas cavernas, uma tão escura, fechada e funda que não conseguimos ver nada lá dentro. Voltamos pela trilhazinha no meio da floresta, não antes de brincar de tarzã num cipó e pegamos a Toyota de novo. E subimos até a Tronqueira, último lugar que o carro subia. Depois disso são 4km de trilha até o Terreirão, onde as pessoas acampam, subindo à pé ou com mulas e mais 5km até o pico, pelo lado de Minas. Pelo lado de Espírito Santo são os 9km de estrada ruim até a Casa Queimada, onde a agente acampou e mais 4km de subida íngreme até o pico, que a gente tinha percorrido à noite. Fomos no mirante, tiramos fotos de quatis e do visual, lanchamos e descemos mais um pouco de Toyota, até a Cachoeira Bonita. Depois de ir na Cachoeira da Fumaça, ela nem é tão bonita assim… decepcionante. Voltamos pra Toyota e descemos a estrada larga, sem buracos e com bloquetes nas descidas mais íngremes. Deu até pra tirar fotos do por do sol, por entre as montanhas.

A gente tinha se perdido uma vez na hora de ir até a portaria de minas, erramos a entrada de São Domingos, isso de dia e de noite a gente acertou o caminho… incrível. Chegamos na portaria do Espírito Santo já de noite e até o momento o menino de 11 anos que tinha se perdido do pai em Pedra Menina (uma cidade) na sexta não tinha sido encontrado… Subimos pela 3ª vez a estradinha de 9km e pela 3ª vez de noite… Foi o primeiro dia que não tomei banho… a água lá é tão gelada, que na hora de lavar a louça os dedos ficam tão gelados que a gente chega a parar de sentir eles, quando eles voltam a ser sentidos, tremem sozinho!

Fizemos o jantar: churrasco, bife à milanesa, arroz, feijão, frango ensopado, abóbora, arroz com ovo e suco, comemos e fomos dormir. Só ficaram acordado eu, o Paulzinho e o Marcelo. O céu estava tão claro quanto estava quando a gente chegou lá, na sexta, a lua estava mais cheia ainda (vai ser lua cheia agora, no dia 4) e iria se por mais tarde ainda. Não sei se por causa do excesso de vinho no sangue, brincando, ou sei lá o que, o Marcelo disse: “Vamos subir de novo?”, eu na hora disse: “Vc num sobe!” e 5 minutos depois já estávamos arrumando as coisas pra subir… Peguei as luvas do Rafael, já estava com a calça de lã, a calça jeans da Herig que estava vestindo há quase duas semanas, por cima duas meias, caneleiras de lã, camisa, blusa de gola alta, blusa preta impermeável e os dois gorros. Também achei o capuz impermeável da blusa preta, dobrei meu saco de dormir e coloquei na mochila e o pai do Marcelo disse que tinha uma roupa de chuva dele na Toyota. Que roupa de chuva que nada! Era aquele agasalho vermelho, quase de lona, com borracha por cima, mais duro que couro, que ele usa na Petrobrás. Eu fiquei com a parte de cima e o Marcelo com a calça. Parecíamos dois aventureiros do Alasca… Troquei as pilhas da minha lanterna, coloquei uma lanterna sobresalente na mochila, um saco de biscoitos, a blusa do marcelo e as máquinas fotográficas e enchemos o cantil de couro com água. Eu fiquei na beira da fogueira e o Marcelo dentro da Toyota, ouvindo rádio, como no sábado. Quando eram 2:00 em ponto de Terça Feira, 31/07/01, começamos a subir o morro.

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