Duna, fim de uma saga (com meta-links)

Terminei há alguns dias de ler o livro As Herdeiras de Duna, de Frank Herbert, sexto e último da saga épica de Duna.

Para ser sincero eu fiquei bem decepcionado com o livro… é um cataclismo muito grande, mal explicado, com elementos que mal aparecem no decorrer da história, como Scytale, que tem alguns capítulos inteiros dedicados a ele mas a partir do meio do livro nem é mais citado… ele poderia ter um papel muito mais importante no decorrer da história, devido à referência ao livro "O Messias de Duna". O livro também passa quase metade na preparação do gola do bashar Miles Teg, para no fim ele aparecer em algumas poucas páginas, sem acrescentar muito à história. Suas habilidades sobre-humanas também foram deixadas de lado neste último livro, assim como o potencial do gola Duncan Idaho. Ix também passou desapercebido, como se estivessem fora da história do universo, mas ainda presentes. O Jihad Butleriano também poderia ter sido melhor explorado, assim como o Caminho Dourado.

Também não deixa claro o que trouxe as Honradas Madres de volta da dispersão, nem o que é a "arma". Os treinadores e os Futares, assim como a projeção na mesa de controle da não-nave, que apenas Duncan via, o que eram?

Muito diferente da narrativa emocionante do "Duna", do embate psicológico em "O Messias de Duna", mesmo que eu tenha compreendido-o apenas mais tarde, do suspense envolvente em torno do "Os Filhos de Duna" ou da grande aula de governo em "O Imperador-Deus de Duna". Frank Herbert poderia ter parado por aí. O livro "Os Hereges de Duna" já mostrou sinais de tramas incompletas ou mal explicadas, sendo salvo apenas pelo ótimo personagem do bashar Miles Teg. Esses dois últimos livros têm uma qualidade muito inferior em relação aos quatro anteriores.

Tanto "Os Hereges de Duna" quanto "As Herdeiras de Duna" foram publicados em 1984, mesmo ano em que a esposa de Frank Herbert faleceu, vítima de 10 anos de câncer e que o filme "Dune", de David Linch foi lançado. Ele veio a falecer um ano depois. Seu filho publicou alguns manuscritos dele, mas não sei qual a qualidade ou continuidade da obra. O livro "O Imperador-Deus de Duna" é de 1981, "Os Filhos de Duna" é de 1976, "O Messias de Duna" de 1969 e "Duna" de 1965, após 7 anos de trabalho e 23 rejeições de editoras.

Abaixo, como de praxe, algumas ótimas passagens no "As Herdeiras de Duna". 

A memória deveria trazer sabedoria, mas não traz. A sabedoria está na maneira de comandarmos a memória e aplicarmos nosso conhecimento.

Rabino, página 67

As burocracias educacionais embrutecem a sensibilidade indagadora da criança. Os jovens devem ser sufocados. Nunca os deixe serem tão bons quanto poderão ser. Isso provoca mudanças. Gaste bastante tempo em reuniões discutindo como lidar com alunos excepcionais. Não perca tempo preocupando-se com o fato de que o professor convencional se sente ameaçado pelos talentos que surgem, e os esmaga em função de um arraigado desejo de se sentir superior e seguro num ambiente que não ofereça perigo.

Reverenda Madre Odrade, página 122

Política:a arte de parecer sincero e completamente aberto ao mesmo tempo em que se oculta tanto quanto possível.

Reverenda Madre Lucilla, página 158

Há muito tempo atrás, a Irmandade decidira que cada Irmã deveria tomar suas próprias decisões morais. " Nunca siga um líder sem fazer suas próprias perguntas." Era por isso que o condicionamento moral das jovens tinha uma prioridade tão alta.
As decisões morais sempre são fáceis de reconhecer. Elas existem onde você abandona o interesse pessoal.

Madre Superiora Odrade, página 222

A diferença entre sentimento e sentimentalismo é fácil de ver. quando você evita matar o bichinho de estimação de alguém na estrada coberta de gelo, isso é sentimento. Se, para se deviar do bichinho, você mata pedestres, isso é sentimentalismo.

gola Duncan Idaho se lembrando de palavras de um professor Mentat sobre "bebedeiras emocionais", página 265

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