Arquivos Mensais: novembro 2008

Cirurgia do coração

Acabei de conversar com meu pai por telefone, que já está no quarto do hospital, onde deve ficar por mais 4 dias. Ele está bem, com uma voz boa e tudo mais. Sinto-me aliviado de poder falar com ele!

Ele passou por uma cirurgia de reconstituição da válvula mitral, onde foi realizada uma valvoplastia.

A válvula mitral é uma válvula dentro do coração que assegura a fluidez correta do sangue no sentido do átrio esquerdo para o ventrículo direito. Meu pai tinha um prolápso da valva mitral ou Síndrome de Barlow, o conhecido sopro do coração, que progrediu para uma insuficiência da válvula mitral, quando ocorre o refluxo do sangue do ventrículo direito para o átrio esquerdo. Estima-se que o prolapso da válvula mitral atinja entre 5 a 10% das pessoas.

Meu pai não tinha nenhum sintoma de prolapso de válvula mitral e só ficou sabendo que tinha isso quando, durante um exame de rotina, o médico auscutou o coração e ouviu o chamado sopro sistólico. Durante 5 anos ele fez ecocardiograma bidimensional com Doppler para o acompanhamento do sopro e entre o que ele fez em setembro deste ano e o que fez em fevereiro, houve um aumento de 5mm do átrio esquerdo e aumento de uma pressão por lá, indicando que estava próximo da necessidade de uma cirurgia.

A cirurgia em sí foi uma cirurgia reparadora, uma “plástica” na válvula, sem necessidade de transplantar por outra válvula biológica ou mecânica.

O procedimento operatório deve ter sido como descrito no site da Clínica Cardíaca Mulinari:

Uma cirurgia de plastia ou de troca da válvula mitral leva de duas a três horas para se realizar. A substituição pode ser por válvula biológica, de tecido animal, ou por válvulas mecânicas construídas com materiais compatíveis com o organismo. Embora funcionem de maneira similar, sua durabilidade e indicação clínica são diferentes.

A operação de troca valvar requer anestesia geral. O cirurgião abre o tórax do paciente através do osso esterno, e os tubos e cânulas para a circulação extra-corpórea são inseridos no coração e nos grandes vasos. Os batimentos cardíacos são suprimidos para que o cirurgião possa abrir e operar o coração com segurança. Através do átrio esquerdo a válvula mitral é exposta, e o cirurgião verifica se pode ser reparada ou se deve ser substituída.

Usam-se suturas não-absorvíveis para fixar uma nova válvula em substituição à removida. O cirurgião testa os movimentos de abertura e fechamento da válvula e em seguida fecha-se a incisão no átrio esquerdo. A aorta é liberada e todo o ar é evacuado do interior do coração. Logo que o coração retoma seu vigor, a máquina de circulação extra-corpórea é retirada e o paciente assume suas funções cardiorrespiratórias normais.

Catéteres de drenagem são colocados em torno do coração, e em 24 horas serão removidos. Fios de marca-passo temporários são instalados na superfície do coração para regular o ritmo cardíaco, as cânulas são removidas, o esterno e a pele fechados.

Em seguida o paciente é transportado para a Unidade Cardio-Intensiva Cirúrgica, e irá despertar em quatro a seis horas. Na manhã do dia seguinte todos os catéteres de drenagem e monitorização são removidos, o paciente é transferido da UTCIC para a enfermaria e, entre cinco e sete dias pode ter alta.

Operação cardíaca

Ontem meu pai me ligou… às 9 da manhã, de domingo! Moro fora há 8 anos e nunca meu pai havia me ligado tão cedo no domingo… na hora pensei que algo sério havia acontecido com algum parente, amigo ou conhecido e que meu pai me ligou pra dar a notícia.

Eu não estava muito enganado… logo ele começou a contar do acompanhamento que faz do sopro que tem no coração, dos resultados, do risco… e que precisaria ser operado… hoje! Poxa, me ligou às 9 da manhã pra dizer que na tarde do mesmo dia pra BH ser internado para no dia seguinte ter o coração operado, que ficaria 2 dias na UTI e que depois mais uns 2 internado!

Passei o domingo inteiro pensado nele, dormi pensando nele, passei a manhã pensando nele e nem quando minha irmã me ligou, às 14:15 eu deixei de ficar pensando nele. Ela me disse que a operação foi bem sucedida, que ele nem precisou trocar a válvula cardíaca, só costurou, que entrou no pré operatório às 10:00 e que só saiu às 14:00. A sensação que tive quando meu pai me ligou dizendo que seria operado deve ter sido a mesma que ele teve quando eu disse que ele seria avô… mas eu estava calmo, queria passar tranqüilidade. Tanta tranqüilidade que nem perguntei que horas seria o operatório, o que seria feito, quais os riscos… talvez até foi bom, pois num momento desses eu sei que ele não queria que nós ficássemos preocupados.

Hoje quando minha irmã me ligou ela disse que nosso pai havia ligado para ela no sábado pra informá-la da operação. Me disse que ele começou a dizer que se a operação desse errado que sei lá o que ficaria como usufruto e que ela começou a chorar quando ele disse isso… acho que minha irmã voltaria a chorar me contando de novo, se nossa ligação não tivesse caído. Nosso pai já tem 64 anos e foi a primeira vez que me toquei que pais não são eternos.

Quando cheguei em casa liguei pra esposa do meu pai, que contou com mais detalhes o que minha irmã já havia me dito. Ela me tranquilizou bastante, disse que durante a operação o ecocardiograma já mostrava que o coração dele estava bem. Ela ainda não havia visto ele após a operação, só poderá ver amanhã às 11 da manhã. Foi quando eu entendi a gravidade da situação! Ele deixou de receber um transplante de válvula cardíaca para apenas fazer uma “operação plástica” na válvula. Eu sabia que ele teria de ter os ossos cortados, abrir a caixa toráxica e colocar o bisturi no coração (se algum médico ler isso, favor me corrigir, a medicina avança tão rápido que as vezes estou equivocado) mas nem pensei em transplante, rejeição, remédio pra evitar rejeição pelo resto da vida e outras complicações.

Como quinta-feira é feriado no Rio (Consciência Negra, feriado que o Lula criou), minha irmã está pensando em ir pra BH e passar o fim de semana com nosso pai. Aqui em São Paulo também é e dependendo de como for a recuperação dele eu também vou.

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