Arquivos Mensais: outubro 2003

Amigo é coisa pra se guardar…

Devo admitir que fiquei bem chateado ao ter minha câmera roubada. Fiquei com muita raiva também. Raiva de terem em um minuto levado o que sonho por anos e que demorei tanto tempo para conseguir. Raiva também por terem roubado-a no dia seguinte ao tê-la comprado. Raiva por não ter reagido ao máximo. Raiva por saber que quem roubou iria trocar por praticamente nada. Raiva por saber que a polícia muito provavelmente em nada ajudaria.

Tentava me convencer que era só uma perda material, mas a raiva falava mais alto. Só fui pensar racionalmente quando, voltando da padaria na sexta à noite, concluí que se juntasse dinheiro novamente eu poderia compraria outra. Nesse momento a raiva deu lugar à frustração.

Há males que vêm para o bem“, disse a Mari quando soube do ocorrido. Hagalaz havia dito isso, antes d’eu ter comprado a câmera. Isso me consolava um pouco. Tentava acreditar no que a Mari disse e aceitar o que Hagalaz havia previsto. Filosofei e consegui supor o que veio de bem com esse mal: controlei minha raiva, suportei toda a pressão do acontecimento, aceitei a perda material, dei mais importância ao meu relacionamento com a Marcela.

Eu ainda não havia vislumbrado o que poderia tirar de mais concreto desse acontecimento e foi só hoje que percebi isso. Amigos. Em todos os momentos eu tive amigos ao meu lado. Na saída da Federal procurando quem me roubou, na delegacia fazendo o BO, nos dias seguintes em São Carlos e nesses dias na BM&F.

Hoje eu tive o que me recordo de ser a maior surpresa de minha vida. Meus companheiros de trabalho, que posso considerar como verdadeiros amigos, fizeram uma vaquinha e me compraram outra câmera. É algo que eu nunca esperaria, nunca passou pela minha cabeça que pessoas que eu conheço ha tão pouco tempo estendessem o braço e me dessem a mão numa situação dessas. Foi uma supresa tão grande que fiquei sem palavras, fiquei sem reação, sem saber o que fazer, sem saber o que dizer. Ter tantos amigos solidários a dar o ombro e aquele abraço num momento de necessidade.

Ao ler o e-mail que o Danilo e Figaro escreveram para a equipe não consegui me segurar… tive de sair de fininho e ir na copa pegar um copo de café, enxugar as lágrimas.

O que tiro de conclusão é que os amigos são o que há de mais importante nessa vida. Não importa o que a gente tem, como a gente é ou em que situação nós estamos, mas sim, os amigos que nós temos. Nada mais importa.

Canon PowerShot S400

A Canon S400 do Daniel, igual à minha

A Canon PowerShot S400 do Daniel, igual à minha, no dia em que nós fomos comprar e estávamos testando.

Ideologia de Vida

Não existe mais lugar seguro. Não existe mais segurança. A polícia, que deveria nos defender, em nada nos protege. Não existe mais liberdade em andar onde quiser e como quiser. Só existe medo.

Quando vim morar em São Paulo defini como meta não viver em casa recluso com medo da violência, mas aproveitar o que esta cidade tem de bom: bares, cinemas, shoppings, megastores, museus, exposições, lojas de qualquer coisa com preços acessíveis e a cidade 24 horas por dia funcionando. Venho vivendo assim desde quando vim para cá, mas mesmo assim a violência assusta um pouco. Dependendo do horário saio sem relógio, sem celular ou com o celular no modo vibratório, o bolso da carteira abotoado ou sem a carteira. Tomo as medidas cabíveis para não chamar atenção, ando atento, reparando nas pessoas e nos lugares… nada beirando a paranóia, mas de maneira precavida.

Nunca imaginei ser roubado em São Carlos, dentro da UFSCar, da maneira como fui. Podem achar que eu vacilei, que não devia ter saído com a câmera, que é perigoso, mas isso é contra a minha ideologia de vida. Da mesma maneira que não quero ficar preso dentro de minha casa em São Paulo não quero deixar de usar algo meu por medo de ser roubado.

Se eu não posso sair com meu celular, não posso andar a pé sozinho, não posso andar com uma câmera fotográfica, não posso andar com o meu cartão de banco, não posso usar um tênis confortável, não posso sair com meu palm, não posso sair com um óculos escuro, não posso estacionar meu carro na rua, não posso saír com dinheiro na carteira, algo está muito errado.

Eu posso aceitar tudo isso e viver em uma prisão ou posso dizer um “foda-se” bem grande e enfrentar tudo, sozinho. Não nasci para ser refém de mim mesmo, nasci para ser livre. A vida é muito curta para deixar de ser vivida. É muito mais cômodo e seguro aceitar essa imposição, mas eu prefiro viver. Sei que posso ser assaltado mais vezes, mas enquanto não tirarem minha vida, será só perda material, a vida continua com ou sem um relógio, um carro, algum dinheiro, um celular…

O pior de terem roubado minha câmera não é o fato de que gastei nela tudo o que juntei por um bom tempo, todo o meu 13º e todo o dinheiro que ganhei de meus tios, pai e avós de aniversário, nem a expectativa de 6 anos que eu tinha em ter uma e nem mesmo a frustração de ser roubado no dia seguinte ao tê-la comprado, mas o fato de saber que irei comprar outra… não sei quando, mas irei.

Mem?rias p?stumas de S400

Quarta feira 22/10

  • hora do almoço: eu e Daniel vamos no StandCenter para ver preço de câmeras digitais, escolhemos uma Canon S400.

  • depois do trabalho: eu e Daniel voltamos ao StandCenter e finalizamos a compra de duas câmeras, parcelada em 3 vezes, sendo que eu só teria grana para as duas primeiras parcelas, mesmo tendo juntado grana por 6 meses e ter recebido o 13º.

    Quinta feira 23/10

  • 0:05: meu pai me liga desejando feliz aniversário e diz ainda que me daria um pouco de grana para comprar a câmera digital, digo que já havia comprado, neste mesmo dia, mas faltaria a parcela de dezenbro e que custou uma caralhada de reais, ele se assusta, mas digo que vou fazer seguro.

  • trabalho: levo a câmera para o trabalho, brinco um pouco com ela, sem ainda nem ter tido tempo de ler o manual.

  • 19:30: venho de carona com o Jeferson para São Carlos, com a câmera.

  • 22:45: vou para o Corso do Tusca com o Clóvis, levo a câmera digital dentro da capa, presa ao cinto, por baixo da camisa e da blusa. Não havia bebido nada e o corso já tinha saído.

  • na Federal: o corso chega na Federal, pelo caminho encontramos Varejão, Rambo, Kicho, Carlos, Cinthya, Franssatto, Canovas, Fernanda, Claus, Tici, Elen, Mazza, Marleta, Cid, Galli, Carina, Pri, Priscila, Jun, Kawakami, Meia, Pexe, Chutassaco, Celso, Ewerton… durante o trajeto tiro algumas fotos, sem usar o LCD, olhando pelo viewfinder, como câmera convensional para não chamar atenção.

    Sexta feira 24/10

  • 2:40: Depois de quase 2 horas curtindo a banda no palco, eu, Carlos, Kicho e Carina vamos ao DCE onde estava tocando música eletrônica. Tiro foto do DJ, o pessoal vai saindo para voltar para a multidão em frente ao palco e vou um pouco atrás deles.

  • 2:45: Enquanto eu voltava, me seguram pelo pescoço, por trás, colando a outra mão no meu olho.

    _ Ou, meu olho! – disse eu, pensando ser alguém da turma que estava me zoando

    _ Passa a câmera!!!! – disse outro cara, que também chegou me segurando

    _ Não!!!!

    _ Cadê ela??? – disse, enquanto rancava meus óculos

    _ Tá lá com meu amigo!!! – respondi enquanto eles me empurravam para o lado, socando minhas costelas e apertando mais ainda.

    _ Passa logo senão vou quebrar seu pescoço!! – disse um, enquanto o outro procurava a câmera e ia me forçando e chegar mais para longe do passeio, eu só ia me encolhendo cada vez mais. O que estava procurando acha ela por baixo da minha blusa, dentro da capa presa ao cinto. Tenta tirar mas não consegue. O outro vai puxando meu nariz ou apertando meus olhos com uma mão enquanto com a outra prende meu pescoço. O que procurava puxa a capa, arrebentando o prendedor do cinto e sai correndo. O outro solta meu pescoço, dá um tapão em minha orelha e também sai correndo.

    Tento pegar meu óculos no chão, acho um pedaço, olho pra trás e não vejo os caras. Chega um carinha perto de mim:

    _ Te roubaram?

    _ Roubaram minha câmera!!! – disse eu, desesperado, procurando o óculos, sem saber o que fazer, vendo que tinha muita gente perto e ninguém fez nada

    _ Pensei que vc estava passando mal e eles estavam te ajudando.

    _ Como eles eram, nem vi!! – perguntei a ele

    _ Eram dois morenos claros e os dois estavam de camisa preta. – essas eram as únicas informações que eu tinha deles.

  • 2:50: saio correndo em direção à portaria da UFScar, chego lá bufando, falo com os dois guardas que estavam lá.

    _ Me roubaram… levaram minha câmera…

    Conto o ocorrido para eles, que anotam meus dados e chamam uma viatura da polícia.

  • 3:00: fico junto à guarita, tentando ver alguém suspeito passar por lá.

  • 3:25: encontro o Clóvis e o Kicho que passam pela portaria.

    _ Fui assaltado, roubaram a câmera!

    O Clóvis fica comigo e o Kicho vai chamar o resto do pessoal. Ficamos mais um tempo lá.

  • 4:00: a viatura chega, mas só depois de um soldado da políca que passou por lá ter ligado de seu celular e re-solicitado. Os policiais dizem para eu fazer um BO pois eles não poderiam fazer nada.

  • 4:25: eu e Clóvis vamos até onde eu tinha sido atacado procurar o resto do óculos. Não encontramos, pois estava meio escuro, o Clóvis para um seguraça em sua moto e pede sua ajuda para iluminar com o farol o lugar ao lado do passeio onde eu tinha sido atacado. Achamos o outro pedaço do óculos.

  • 4:45: eu, Clóvis, Franssato, Carlos, Claus e Tici vamos até a delegacia, onde faço o BO. A plantonista diz para no dia seguinte pegar o BO assinado no distrito policial, depois das 11 da manhã e fazer um exame de corpo delito no IML, entre 16:00 e 17:30.

  • 5:00: voltamos para casa eu com uma raiva imensa e sem dizer uma única palavra. Durmo.

  • 11:38: acordo, tomo banho e vou até o 1º Distrito da polícia (longe para caramba!!), pego o BO assinado e vou até a Ótica Carol (do outro lado da cidade), onde havia comprado meu óculos:

    _ Vocês consertam óculos?

    _ Tem de ver qual o problema, você está com o seu óculos?

    _ Sim – digo, tirando a caixa (da Ótica Carol) e mostrando os dois pedaços.

    _ Essa armação não tem conserto, vai ter de trocar por uma nova. – disse, depois de examinar.

    _ Quando foi que você comprou?

    _ Tem uns 8 meses – respondi

    _ Tem 8 meses que ele comprou, ainda tá na garantia? – pergunta a mulher que estava me atendendo à outra vendedora

    _ Tem sim. – a outra responde

    _ A armação está na garantia, a gente vai pedir outra, mas a lente vai ficar com esse rachadinho aqui, tá bem? – ela diz, mostrando uma rachadura na beirada da lente onde a armação é parafusada.

    _ Tudo bem. – respondo eu, um pouco mais feliz pois não teria de pagar por uma nova lente.

    _ Vai levar de 5 a 7 dias úteis, vamos até o computador para ver qual o modelo.

    A mulher vai até o computador, consulta meu nome e acha todas as informações sobre a compra que eu havia feito no início do ano. Atualizo meus dados (endereço e telefone), deixando os óculos, ou melhor, os pedaços de um óculos lá.

    Depois vou até uma loja de informática e converso com o dono (no lado oposto do Distrito Policial). Ele pega o modelo da máquina, o número serial, meu nome e telefone. Se alguém tentar vender lá ele me liga. Passo em outra loja dizendo o mesmo.

  • 13:45: Chego em casa, converso com o Clóvis, ficamos esperando o Micão chegar, vamos para a casa do Carlos, o Franssato vai com o Claus no shopping almoçar, ficamos esperando eles voltarem, eles demoram e o Clóvis vai de ônibus. Eu e Carlos vamos depois, de ônibus, pois eu precisava da folha que estava na apostila de Criptografia para ir fazer o exame de corpo delito e o Clóvis havia levado.

  • 16:40: Chego na sala, entro, pego o papel, vou com o Carlos até a Delegacia, a pé.

  • 17:20: Chegamos na delegacia, em 5 segundos descrevo meus ferimentos, o cara olha e diz que é só isso. Eu e Carlos voltamos para a casa dele, a pé.

  • 21:00: Começo a escrever este relato.

    Eu fui roubado “na mão grande” como dizem os policiais, dentro da UFSCar, durante uma festa com mais de 2000 universitários em um lugar cheio de gente. Não foi numa bocada, não foi num lugar deserto, não foi numa rua escura… isso é o que me deixa transtornado. Se até num lugar assim não temos segurança, mesmo tomando cuidado, onde vou estar seguro…

  • DNS Stuff

    Esses dias eu estive pensando em uma maneira de cada computador conectado na Internet ter um IP fixo, mesmo que seja um IP virtual. Quem se conecta na Net usando conexão discada ou até mesmo conexões ADSL recentes obtêm um novo IP a cada conexão.

    Eu tive a idéia de um serviço de redirecionamento de pedidos de DNS de uma determinada hierarquia para IPs dinâmicos. Cada vez que uma pessoa conectasse na Net, validaria seu IP obtido naquela conexão com esse serviço, que passaria a redirecionar todos os pedidos para um determinado endereço daquela hierarquia para esse IP. Quando o usuário desconectasse, o redirecionamento deixaria de ser feito. Quando ele conectasse novamente, com um novo IP e o validasse neste serviço, aquele mesmo determinado endereço daquela hierarquia voltaria a ser redirecionado, mas agora para esse novo endereço IP do usuário.

    Com esse mecanismo, um usuário poderia dizer que o endereço: www.holococos.servico_redirecionador.com sempre será o seu endeço, quando ele estiver online. Como o serviço redirecionaria os pedidos, o usuário poderia deixar em sua máquina serviços de HTTP, FTP, ping, SMTP, finger e o que mais achar interessante.

    Ainda não sei qual é a viabilidade prática dessa idéia, mas se a idéia for boa, viável e pegar vai começar uma revolução no mundo P2P.

    O primeiro artigo que li sobre DNS e afins para saber se isso é viável é o How ip4r (DNSBL-style) DNS Lookups Work, falando como servidores de BlackList de SPAM fazem consulta a um IP e retornam se aquele IP é de spammer ou não.

    Sumida

    Eu dei uma sumida do meu blog… mas volto, como sempre eu volto.

    Nesse meio tempo eu vim pra São Carlos e voltei pra São Paulo várias vezes. Apresentei meu seminário de “Seminários em Informática”, onde falei sobre meu estágio na BM&F. Comprei dois livros também, um sobre WAP e outro sobre P2P, ambas tecnologias do meio computacional. Comprei cuecas Zorba e meias Speedo na 25 de Março e o jogo Othello na RiHappy nessas quarta e quinta feira, respectivamente.

    De negativo eu tive uma amigalite. Usei pela primeira vez meu convênio da Unimed, tomei Benzetacil na bunda, soro com algo na veia e Amoxicilina (genérico, claro) em comprimidos por uma semana. Só a Amoxicilita foi por uma semana, o resto foi só no dia que fui ao hospital. Quando o enfermeiro tirou o soro do braço direito e colocou no braço esquerdo, começei a ver tudo amarelado, a vista ficou turva, o som foi ficando estranho, escutava um zumbido… parece que minha pressão despencou de repente, mas logo voltou a normal. Mesmo quando o enfermeiro teve de colocar a agulha do soro em uma terceira veia… Depois a Marcela ainda foi no hospital pra me dar uma ajuda psicológica 🙂

    Ontem teve o Baile do Trocado aqui em São Carlos. Eu fui de paty 🙂 Foi divertido, mas a banda era ruim…

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