Expedição Pico da Bandeira – 5ª Parte Começamo…

Expedição Pico da Bandeira – 5ª Parte

Começamos a subir o morro que tem no fim da área de campinga. Ponto inicial de partida, é um dos morros mais íngremes. Nós fomos subindo sem parar, só paramos quando chegamos do lado das Duas Irmãs (uma pedra que tem lá que é partida ao meio), andamos mais um pouco e depois começamos a descer este morro (única descida do percurso). A lua estava no céu e podíamos ver os morros e montanhas ao redor do acampamento. Quanto mais subíamos, mais luzes de fazendas, vilas e didades nos íamos vendo. O Marcelo ia na frente, com a lanterna dele e eu ai atrás, com a minha apagada, só acendendo quando era necessário, de tanto que a lua iluminava. Eu queria tirar uma foto da lua quando ela estivesse quase no horizonte, grande e brilhante, mas ela ainda estava altinha, pelos nosso cálculo ela só ia se por lá pelas 4 horas. Nessa subida a gente sabia para onde estávamos indo, viamos a lua no leste e os morros que estávamos subindo. Se tivesse visto os morros antes era capaz de termos desanimado, pois são montanhas monstruosas que nós subimos! Com a lanterna iluminando uns 50 a 100 metros, as vezes até mais, tinhamos noção do caminho que estávamos pegando. No domingo de madrugada a gente estava bitolado nos 5 a 10 metros à nossa volta e só… Em uma das curvas que nós fizemos a lua ficou escondida e não a vimos mais… colocar água no cantil foi uma dificuldade! O cantil é de couro e a água desce tão devagar nesse ponto que não tem queda… ele desce escorregando nas pedras e na terra. Eu tive de afundar o cantil em uma poça menos funda que um palmo. Meu gorro verde, que cobre as orelhas e pescoço caiu na água… ainda bem que num era minha lanterna que estava no bolço interno da blusa preta impermeável. Estavamos um pouco depois da metade do caminho. O foda da subida é que vc fica cansado e suando, eu cheguei a tirar minha blusa de gola alta, o gorro verde e abrir o ziper da blusa preta impermeável e da capa de chuva amarela. A parte mais engraçada da subida foi quando eu, na frente, subi um degrau de pedra de quase um metro de altura e depois só escutei um RRRAASG atrás de mim, seguido de um “Rasguei minha calça”, eu perguntei “Muito?” e o Marcelo respondeu, depois de uma breve pausa “Bastante”, olhei pra trás e estava o marcelo olhando pra um buraco na calça que ia do joelho até a cintura. Na parte em que tinhamos nos perdido no domingo até com a claridade que estava era possível se perder um pouquinho… a seta está muito mais alta que a última marca e no claro é possível ver a altura do paredão. Eu estava sentindo o vento frio no meu corpo e meu corpo quente ao mesmo tempo, foi quando eu percebi que sem a blusa e com os dois zipers aberto, eu estava só com a camisa de manga curta no peito, tratei de fechar o ziper da blusa preta e continuei subindo. Depois desse ponto foi possível ver tudo à nossa volta, as montanhas, as cidades, as estrelas, as estrelas cadentes, os vales… é tão alto e tudo tão bonito… Até o fim da subida nós fomos meio que pelo instinto mesmo, eu andando rápido na frente, procurando setas ou X bem na frente, com o facho da lanterna, que ia bem longe. Também nas partes de mato, onde já estava mais pisado e pelas marcas de terra na pedra. A terra lá em cima é mais preta que carvão e a pedra fica toda marcada. Quando descemos no domingo a gente percebeu que pelo caminho tinham pedras uma em cima das outras, coisa de mão humana e percebemos que era outra forma de marcação, que nos foi útil nessa subida da terça feira. Eu estava querendo chegar lá o mais rápido o possível pra poder dizer que fiz em pouco tempo e pra não pegar o dia clariando, como aconteceu no domingo.

Quando chegamos eram só 4:36, 2 horas e 36 de caminhada. No acampamento a gente tinha ouvido dois caras fodões dizerem que fizeram a subida em duas horas e meia e acharam rápido. E olha que eles fizeram isso de dia! Lá em cima estava tudo escuro e não tinha ninguém! Fomos direto pro cruzeiro, a primeira coisa que fiz foi tirar toda a roupa, inclusive a camisa de manga curta, que estava molhada, e colocar a blusa, seguido da blusa preta impermeável e abrir o saco de dormir. Ventava tanto que tive de colocar meus tênis no saco de dormir antes de entrar nele pra ele não voar, também tive de tirar a blusa preta, que não cabe lá dentro. Talvez até coubesse, mas o que mais eu queria era entrar dentro daquele saco o mais rápido o possível. Fiquei deitado na pedra, olhando pra onde o sol ia nascer, mas depois fui até o cruzeiro e assentei nos degraus dele, dentro do saco de dormir. Minha bunda e meu pé estavam ficando gelados, então coloquei a camisa e a blusa nos degraus, em baixo do saco de dormir, pra me aquecer. O Marcelo estava do meu lado, todo encolhido, com a capa de chuva amarelo, usando o cruzeiro como quebra vento. Eu e o Marcelo começamos a conversar pra evitar de dormirmos e perdermos o sol nascendo, além de chegar atrasado no acampamento, já que estava previsto voltar pra SJdR 9 horas da manhã.

Estávamos pensando o quanto doido nós éramos pra subir o Pico da Bandeira novamente, não tinha uma alma viva lá em cima, comparando isso com o domingo que estava cheio e não vimos nada, só faltava o tempo fechar. Só para o lado que eu estava olhando, em 180º de visão eu consegui contar 63 pontos luminosos (que não eram estrelas), da pra ver muuuitas cidades lá de cima, alguns pontos eram cidades grandes, outros apenas vilas, outros deviam ser luzes de fazendas, de tão fraquinhas, outros ainda eram cidades atrás de morros, só com as núvens acima da cidade iluminadas. Por fim o horizonte foi começando a dar sinais de que ia clarear e eu resolvi sair do saco de dormir, meus pés até doeram quando eu pisei na pedra fria. Começamos a ouvir vozes e eu coloquei a blusa preta e a capa de chuva amarela. Era difícil até de andar com ela, de tão grossa. O sol foi nascendo, foi aparecendo mais gente, umas 9 no total, os morros foram surgindo à nossa volta, as estrelas continuavam persistentes no céu… Entre as pessoas estava um fotógrafo profissional e seus amigos, com câmera reflex, tripé e tudo mais. Ele tirou umas fotos pra gete e deu várias dicas de como usar a câmera do Marcelo (a minha é ruim e simples pra caramba e só tinha mais 3 fotos). Lá de cima a gente consegiu ver as duas irmãs… pena que não tinhamos levado o binóculo… No oeste tinha muita nuvem, parecia uma geleira, espessa pra caramba! No norte tinha um vale verdinho verdinho, deve ser o Vale Encantado, onde fica a Cachoeira Bonita, no lado de Minas Gerais, pq se for pensar bem, as Duas Irmãs fica no sul… Júpiter e Saturno ficam um tempo no céu, antes de sumirem, a coloração do céu no oeste fica azul escuro, roxo, rosa, lilaz, alaranjado, amarelo e azul claro. No leste as nuvens vão baixando e as montanhas vão aparecendo, cada vez é possível ver mais pedaços de montanhas no meio das núvens, incluindo um vale grandão, sem montanha nenhuma, só núvens.

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