Crônicas de Narnia – Livro e Filme

Passei 8 anos de minha vida indo de metrô para o trabalho e li inúmeros livros durante esse tempo, ocupando os 20 minutos o trajeto com algo útil.

Agora que estou trabalhando longe de casa, mesmo que usando transporte público apenas alguns dias na semana, sinto essa necessidade de ler ainda maior.

Comprei a coleção Narnia, de C. S. Lewis e já estou no 4º livro: “Prince Caspian”. É, comprei em inglês, pois além de passar o tempo me ajuda a treinar a língua da rainha.

The Chronicles of Narnia - Prince Caspian

The Chronicles of Narnia - Prince Caspian

Ontem assisti o filme “Crônicas de Narnia – Príncipe Caspian” e existem incontáveis diferenças, no entanto uma em especial é injustificável: por quase 30 minutos do filme animais voadores levam os reis e rainhas ao castelo do tio malvado, eles abrem os portões, os antigos narnianos entram no castelo, Caspian resgata o tutor e tenta matar o tio, o tio foge do quarto, consegue cercar os narnianos, que fogem em disparada, mas diversos ficam presos no castelo, sendo mortos a sangue frio, criando a desculpa para Miraz atacar Narnia.

Não há absolutamente nada disso no livro!

  • Peter, Edmund, Lucy, Susan e Caspian não tentam invadir o castelo em momento algum
  • Não aparece um único animal voador grande o suficiente pra carregar uma pessoa, a não ser os passarinhos cantando ou levando mensagens
  • Caspian não resgata o tutor do castelo, ele foge e encontra Caspian com os antigos narnianos
  • Caspian não tenta matar o tio em momento algum do livro
  • No livro Miraz nunca faz um único conselho com seus lordes e nem cria uma desculpa para atacar os narnianos, ele simplesmente sai com sua tropa para matar Caspian

Eu não sei qual foi a idéia do diretor em inventar uma passagem tão absurda em um livro com tanto detalhe!

No entanto algumas cenas ficaram excelentes no filme, melhor que no livro (não leia se ainda não leu/assistiu a história):

  • No filme Nikabrik e seus dois comparsas conjuram a White Witch, que aparece congelada em um portal de gelo, encantando Caspian para ter uma gota de seu sangue e Edmund destrói o portal enquanto Peter, Trumpkin e Trufflehunter matam os 3 revoltosos. Bem mais interessante que no livro, onde antes mesmo da bruxa desenhar o círculo no chão Peter, Edmund e Trumpkin entram na sala -escura- e matam os 3 revoltosos. Lewis teria ficado orgulhoso da idéia da Jadis aparecer em um portal de gelo, encantando Caspian e Edmund quebrando o portal, pois está 100% relacionado com a história do livro “The Lion, The Witch and the Wardrobe”.
  • No filme o duelo entre Miraz e Peter é sensacional, parecendo um verdadeiro duelo medieval. Nada parecendo um ringue de boxe como no livro. No filme Peter vence, Caspian não mata o tio por não ser um tirano e Glozelle enfia uma flecha da Susan em Miraz, pra sugerir traição. No livro Peter não chega a vencer, Miraz apenas tropeça, cai e Glozelle já sai gritando “Traição, Traição, o traidor narniano apunhalou-o pelas costas enquanto ele estava indefeso. Para as armas, para as armas Telmar!
  • Aslan “destorcer” duas árvores para formar o portal para o nosso mundo, além de Peter, Edmund, Lucy e Susan não terem de trocar de roupa é muito mais interessante que uma porta de varetas e os 4 trocando de roupa antes de entrar no portal… como se tivessem precisado quando voltaram pelo guarda roupa.
  • O brutamonte anão Trumpkin no filme, muito mais parecido com os anões de Senhor dos Aneis, é mais convincente que o franzino anão do livro, que mais parece um duende.
  • Particularmente achei que o bacanal, literalmente, ficou sobrando no livro, bem como a excursão de Aslan pelas escolas e cidades no fim do livro. Não incluir no filme foi uma decisão acertada.

Gostei do filme, é bem fiel à história, a maioria das diferenças são em relação à ordem em que os eventos aconteceram ou algum outro pequeno detalhe, mas o livro continua sendo superior.

A história de Narnia, o medo que os telmarinos têm das florestas e do mar, os animais falantes se escondendo, buscando a liberdade, além da grandiosidade da entidade que é o Aslan e da dificuldade de Peter, Edmund e Susan em vê-lo não transparecem no filme mas ditam o tom do livro.

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5 Comentários.

  1. olá.
    tudo o que você disse é verdade!

    que bom que está gostando do livro! encontrei seu blog nas notícias que recebo do google e parabéns pelo texto.

    se quiser saber mais sobre os próximos filmes de nárnia, entra no meu site, que coloquei aqui no comentário. 🙂

    e boa leitura!

  2. No livro a Cadeira de Prata os glifos aparecem, eles apelaram nessa parte mesmo… mas fazer o que né.
    Já leu o Menino e o seu cavalo, para mim talvez seja a melhor das crônicas.

    • Li sim. O título em inglês é “The Horse and His Boy”, ou “O Cavalo e seu Garoto”.

      Tem uma passagem onde a égua Hwin fala para Shasta que Bree não é o cavalo dele e que quando chegar em Narnia provavelmente falariam que ele é o garoto dele.

      Muito legal essa inversão de papeis.

      Lewis sempre foi muito criticado por carregar em seus livros os ensinamentos cristãos, mas sou da opinião de que ele encontrou a mais sutiu e prazeirosa forma de falar de Deus conforme a bíblia.

      O livro The Magician’s Nephew que ele escreveu apenas em 1955 mas que cronologicamente é o primeiro das crônicas é praticamente uma paráfrase do gêneses!

  3. Nos casos em que livros acabam se tornando filmes, sempre gosto de ver os filmes depois justamente para comparar, e sempre me decepciono. A única vantagem é uma ilustração visual daquilo que você leu, mas também nada demais, porque nada melhor do que a própria imaginação dos cenários e personagens que se faz durante a leitura.

    Triste saber que a série “Crônicas de Narnia” faz o mesmo dos demais. Ainda nem li nenhum livro, mas pretendo fazer em breve.

    Parabéns pelo trabalho do Blog! Encontrei-o esta semana e me inscrevi no RSS dele. É o 1º post novo que leio e pretendo sempre estar aqui comentando e também te ajudando clicando nos anúncios ao lado, porque o trabalho é realmente excelente!

    • Obrigado Rodolfo!

      Também prefiro ler os livros antes de assistir o filme, como em Senhor dos Aneis ou Contato, de Carl Sagan.

      Duna é um filme que assisti antes de ler os livros. Foi como se estivesse desbravando o filme, pois ele é muito fiel ao livro.

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