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Justiça Brasileira e o Jockey Club de Uberaba

9 de abril

Eu já falei várias vezes neste blog do caso do Felipe, irmão de companheiro de república, que morreu eletrocutado em uma festa no Jockey Clube de Uberaba.

Neste mês a Carta Capital tem na sessão Sociedade (mais) um desabafo do pai dele.

Os indiciados que ele fala são o presidente do Jockey Park Club, Luiz Augusto Cipriano Coelho, os diretores sociais Fernando Alves Pimenta e Marcelo Augusto Teodoro de Andrade, o gerente administrativo Francisco Nazareno Gonçalves e duas pessoas responsáveis pelas instalações elétricas: o engenheiro Nilson Luiz Gonçalves da Silva e o eletricista José Edson Silvano.

Quem quiser ajudar, clique nas imagens abaixo e ajude a divulgar a notícia.

Cidade Maravilhosa + War = War in Rio

29 de novembro

War in Rio, o jogo

Fabio Lopez, designer gráfico carioca de 29 anos criou o fantástico War in Rio, que aproveita o sucesso do filme Tropa de Elite pra fazer uma crítica à situação do Rio de Janeiro. Vale a visita no site! Abaixo alguns trechos:

No lugar de invadir Moscou, conquistar a África ou aniquilar os exércitos brancos, que tal invadir a Cidade de Deus, conquistar a Baixada ou eliminar o Comando Vermelho?

O BOPE é representado pelos exércitos pretos, o Comando Vermelho (CV) pelos exércitos vermelhos, a Polícia Militar (PM) é representada pelos azuis, as Milícias os exércitos brancos, o Terceiro Comando (TC) os exércitos verdes e os Amigos dos Amigos (ADA) ficaram com os amarelos.

Os objetivos do jogo foram adaptados para a realidade violenta do cotidiano carioca. No lugar de conquistar continentes do além-mar, o jogador tem a possibilidade de arquitetar a invasão dos lugares que mora e trabalha, ou de locais que costuma ver em destaque no telejornal.

Por exemplo: é possível que o jogador tenha que ‘conquistar na totalidade as favelas localizadas na BAIXADA FLUMINENSE e as favelas da ZONA SUL’, ‘conquistar 24 favelas à sua escolha’ ou ‘eliminar as MILÍCIAS da cidade do Rio de Janeiro’.

Pensamentos quase póstumos

4 de outubro

Luciano Huck: Entregue sua armaSegunda feira fomos agraciados com um artigo do Luciano Huck (é, aquele apresentador do Caldeirão do Huck) no caderno Opinião da Folha de São Paulo (acesso restrito para assinantes Folha ou clientes UOL). Ele foi assaltado na quinta feira passada ao parar em um semáforo da rua Dr. Renato Paes de Barros.

É muito bom. Vou postar aqui na íntegra:

Pensamentos quase póstumos
Luciano Huck

Pago todos os impostos. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa

LUCIANO HUCK foi assassinado. Manchete do “Jornal Nacional” de ontem. E eu, algumas páginas à frente neste diário, provavelmente no caderno policial. E, quem sabe, uma homenagem póstuma no caderno de cultura.

ão veria meu segundo filho. Deixaria órfã uma inocente criança. Uma jovem viúva. Uma família destroçada. Uma multidão bastante triste. Um governador envergonhado. Um presidente em silêncio.

Por quê? Por causa de um relógio.

Como brasileiro, tenho até pena dos dois pobres coitados montados naquela moto com um par de capacetes velhos e um 38 bem carregado.

Provavelmente não tiveram infância e educação, muito menos oportunidades. O que não justifica ficar tentando matar as pessoas em plena luz do dia. O lugar deles é na cadeia.

Agora, como cidadão paulistano, fico revoltado. Juro que pago todos os meus impostos, uma fortuna. E, como resultado, depois do cafezinho, em vez de balas de caramelo, quase recebo balas de chumbo na testa.

Adoro São Paulo. É a minha cidade. Nasci aqui. As minhas raízes estão aqui. Defendo esta cidade. Mas a situação está ficando indefensável.

Passei um dia na cidade nesta semana -moro no Rio por motivos profissionais- e três assaltos passaram por mim. Meu irmão, uma funcionária e eu. Foi-se um relógio que acabara de ganhar da minha esposa em comemoração ao meu aniversário. Todos nos Jardins, com assaltantes armados, de motos e revólveres.

Onde está a polícia? Onde está a “Elite da Tropa”? Quem sabe até a “Tropa de Elite”! Chamem o comandante Nascimento! Está na hora de discutirmos segurança pública de verdade. Tenho certeza de que esse tipo de assalto ao transeunte, ao motorista, não leva mais do que 30 dias para ser extinto. Dois ladrões a bordo de uma moto, com uma coleção de relógios e pertences alheios na mochila e um par de armas de fogo não se teletransportam da rua Renato Paes de Barros para o infinito.

Passo o dia pensando em como deixar as pessoas mais felizes e como tentar fazer este país mais bacana. TV diverte e a ONG que presido tem um trabalho sério e eficiente em sua missão. Meu prazer passa pelo bem-estar coletivo, não tenho dúvidas disso. Confesso que já andei de carro blindado, mas aboli. Por filosofia. Concluí que não era isso que queria para a minha cidade. Não queria assumir que estávamos vivendo em Bogotá. Errei na mosca. Bogotá melhorou muito. E nós? Bem, nós estamos chafurdados na violência urbana e não vejo perspectiva de sairmos do atoleiro.

Escrevo este texto não para colocar a revolta de alguém que perdeu o rolex, mas a indignação de alguém que de alguma forma dirigiu sua vida e sua energia para ajudar a construir um cenário mais maduro, mais profissional, mais equilibrado e justo e concluir -com um 38 na testa- que o país está em diversas frentes caminhando nessa direção, mas, de outro lado, continua mergulhado em problemas quase “infantis” para uma sociedade moderna e justa.

De um lado, a pujança do Brasil. Mas, do outro, crianças sendo assassinadas a golpes de estilete na periferia, assaltos a mão armada sendo executados em série nos bairros ricos, corruptos notórios e comprovados mantendo-se no governo. Nem Bogotá é mais aqui.

Onde estão os projetos? Onde estão as políticas públicas de segurança? Onde está a polícia? Quem compra as centenas de relógios roubados? Onde vende? Não acredito que a polícia não saiba. Finge não saber.

Alguém consegue explicar um assassino condenado que passa final de semana em casa!? Qual é a lógica disso? Ou um par de “extraterrestres” fortemente armado desfilando pelos bairros nobres de São Paulo?

Estou à procura de um salvador da pátria. Pensei que poderia ser o Mano Brown, mas, no “Roda Vida” da última segunda-feira, descobri que ele não é nem quer ser o tal.

Pensei no comandante Nascimento, mas descobri que, na verdade, “Tropa de Elite” é uma obra de ficção e que aquele na tela é o Wagner Moura, o Olavo da novela. Pensei no presidente, mas não sei no que ele está pensando.

Enfim, pensei, pensei, pensei. Enquanto isso, João Dória Jr. grita: “Cansei”. O Lobão canta: “Peidei”.

Pensando, cansado ou peidando, hoje posso dizer que sou parte das estatísticas da violência em São Paulo. E, se você ainda não tem um assalto para chamar de seu, não se preocupe: a sua hora vai chegar.

Desculpem o desabafo, mas, hoje amanheci um cidadão envergonhado de ser paulistano, um brasileiro humilhado por um calibre 38 e um homem que correu o risco de não ver os seus filhos crescerem por causa de um relógio.
Isso não está certo.

Tropa de Elite & consumo de drogas

30 de setembro

Wagner Moura em cena de Tropa de EliteO uso de drogas existe desde que o mundo é mundo e não vai ser a repressão que vai acabar com o consumo. Mas a legalização pode acabar com o tráfico. Eu vejo o consumidor como o elo mais fraco da cadeia. Combatê-lo é contraproducente. O abuso e o vício devem ser tratados como problemas de saúde pública. O tráfico é que é questão de segurança pública.Wagner Moura

Dura de Matar

3 de setembro

Li a notícia abaixo na Folha de São Paulo e me pareceu ser a mulher perfeita de John McClane.

Grupo seqüestra e tortura policial militar em Niterói
da Folha Online

Uma policial militar foi seqüestrada e torturada, na noite de ontem (2), em um morro de Niterói (RJ). Ela só conseguiu fugir depois de passar por três sessões de espancamento.

De acordo com a Polícia Civil, a policial foi surpreendida por dois homens armados ao chegar à paisana em sua casa, na rua Martins Torres. Ela foi obrigada a sentar no banco traseiro de seu carro –um Ford Focus– e a rodar pela cidade com os ladrões, que exigiam dinheiro.

O que era um seqüestro relâmpago mudou quando a dupla reconheceu a mulher como PM –provavelmente devido a algum objeto encontrado dentro do próprio carro.

Levada ao morro do Castro, a vítima foi espancada, amarrada e presa no porta-malas. Ela conseguiu escapar pouco depois, mas acabou flagrada por mais dois homens armados que seguiam em uma moto. Espancada novamente, ela teve os olhos fechados com fita adesiva e foi levada a um cativeiro.

Mais tarde, a policial conseguiu deixar o cativeiro e buscar abrigo em casas vizinhas. O problema é que os moradores do morro estavam associados aos criminosos e denunciaram a fuga. Um deles chegou a agredir a vítima com uma vassoura para impedi-la de deixar o morro. Pela terceira vez, a PM foi espancada, pisoteada e estrangulada.

Ela foi presa de novo no porta-malas, de onde fugiu. Desta vez, a Polícia Militar conseguiu acionar a corporação pelo telefone e ser resgatada. O caso é investigado.

Polícia na rua

16 de julho

Polícia aborda veículo
Foto de Caio Guatelli/Folha de São Paulo

Hoje à tarde, dirigindo de volta pra casa em uma rua tranquila da Mooca, me assusto com dois policiais saindo de uma viatura estacionada e apontando a arma para o pára-brisa do carro que ia na minha frente.

Na hora freio e paro o carro, temendo uma troca de tiros, enquanto o policial continua apontando a arma para para onde deveria estar o motorista, a uns 10 metros na minha frente! Um garoto de uns 18 anos sai do carro com as mãos para cima e é revistado pelo outro policial, enquanto o primeiro ainda aponta a arma para ele.

Foi como se o tempo tivesse parado, só voltando quando algum motorista atrás buzinou e o policial, agora com a arma no coltre, pediu que o carro do meu lado, que também tinha parado, claro, voltasse a andar…

Absurdo!

24 de maio

É simplesmente absurdo políticos ficarem indignados com o fato da Polícia Federal estar trabalhando (e bem) no combate da corrupção, prendendo e investigando políticos, advogados e juízes!

É simplesmente absurdo! A polícia investiga, prende e os juízes vão lá e soltam… e os que são prezos reclamam que a polícia está prendendo…

Carnavalis no Nordeste

19 de fevereiro

Algumas notícias do carnaval:

Violência durante o Carnaval cresce 28% em Salvador
PM encontra 2.000 documentos durante o Carnaval de Salvador
Salvador tem aumento nos furtos e agressões no Carnaval
Galo da Madrugada registra casos de agressão e furtos

A Polícia Militar registrou, desde a abertura do Carnaval, na quinta-feira, até o início da manhã de segunda-feira, 1.280 ocorrências nos circuitos da festa em Salvador . De acordo com o Cedep (Centro de Documentação e Estatística Policial), aconteceram 249 casos de lesões corporais, 47 de agressões físicas, 809 furtos e 105 roubos, além de 56 ocorrências de uso e porte de drogas e dez de tráfico. O Carnaval em Salvador reúne cerca de 1,7 milhão de pessoas, segundo a Emtursa (Empresa de Turismo de Salvador).

O bloco Galo da Madrugada, que reuniu entre a manhã e a tarde deste sábado de Carnaval cerca de 1,5 milhão de pessoas nas ruas do centro de Recife (PE), registrou 8 casos de agressão e 21 casos de furto durante a festa. Policiais militares que faziam a segurança local também registraram 139 casos de desordem e 3 de desacato à autoridade. Também foram registradas 32 ocorrências de uso de entorpecentes.

Ou seja, Carnaval no Nordeste só se for em Recife!